Novos desafios e demandas para os sistemas de saúde no pós pandemia

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Em muitos países, o envelhecimento da população e o fardo crescente da associação entre múltiplas comorbidades e doenças crônicas, faz com que os atuais sistemas de saúde travem uma batalha para atender eficazmente as crescentes demandas por cuidados.

 

O efeito cumulativo de uma série de fatores sociodemográficos, econômicos, mudanças ambientais, bem como as expectativas crescentes de atendimento, trouxeram novas demandas nos serviços de saúde para fornecer cuidados que sejam proativos ao invés de reativos, abrangentes e contínuos em vez de episódicos e específicos relacionados as doenças, e que se baseiam em relacionamentos sustentáveis ​​entre usuários e prestadores.


A fragmentação existente é o resultado da supermedicalização, subespecialização excessiva e de modelos de cuidado curativos orientados para doenças. Tais abordagens fragmentadas, reduzem a capacidade do sistema de saúde na continuidade aos cuidados, o que leva a dificuldades no acesso oportuno, prestação de serviços com baixa qualidade, duplicação de esforços e uso ineficiente de recursos.

 

O sistema de saúde necessita dar uma resposta para melhorar essa integração, a fim de superar todos esses desafios enfrentados.

 

Tal resposta pode gerar benefícios significativos no sistema brasileiro, relacionados a:

  • Melhorar a experiência dos usuários; 

  • Melhorar o acesso aos cuidados e reduzindo as desigualdades; 

  • Construir uma Estrutura Integrada de Saúde;

  • Fornecer uma avaliação das necessidades de saúde locais;

  • Identificar prioridades para melhorias do sistema; 

  • Garantir responsabilidade e sustentabilidade do sistema de saúde.

Os cuidados integrados contribuem para melhorar o acesso aos serviços, diminuir o número de hospitalizações e readmissões desnecessárias, melhorar a adesão ao tratamento, aumentar a satisfação dos usuários, educação em saúde e autocuidado, maior satisfação no trabalho para profissionais de saúde e melhores resultados gerais de saúde.

 

Uma abordagem de gestão da saúde da população pode melhorar a saúde e bem-estar da população.


É preciso apoiar efetivamente a transformação e as ações em direção ao serviço de saúde integrado, isto inclui a participação do governo e de toda a sociedade. É preciso apoiar a implementação de políticas alinhadas e aplicadas simultaneamente aos diferentes níveis dos sistemas de saúde dentro de um ambiente favorável. Incluindo políticas claras de remuneração, seja no sistema público, seja no privado, baseadas em valor gerado, em resultado obtido e não em produção. Isso requer compromisso político sustentado e liderança, abordagens de gestão de mudança e mobilização e engajamento dos profissionais de saúde e comunidades em cada nível, orientados pela visão da saúde centrada na pessoa, em vez de doenças ou instituições de saúde.

Dr. Bruno Cavalcanti Farras
Mara Machado