Gestão do Intangível

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Até a década de 90, os recursos mais valiosos, precificação e extração de valor das organizações era baseado em grande parte na análise de sua infraestrutura física.

 

No decorrer dessas duas últimas décadas, a globalização e a evolução digital permitiram às grandes corporações a expansão além dos mercados locais, com uma velocidade incrivelmente rápida, jamais vista anteriormente.

 

A atual crise, originada pelo novo Coronavírus, mostrou que essa competição tem mudado o modelo até então utilizado, passando do confronto físico e controle rigoroso de recursos, para disputas em torno da captação de dados, informações, conhecimento e outros ativos intangíveis.

 

É cada vez mais comum ouvir que dados são o novo petróleo do mundo e combustível para o futuro. Isto de fato é uma verdade. E também configura uma mudança de análise de mercado e valorização de ativos tangíveis para intangíveis. A única diferença em relação ao petróleo é que dados são uma fonte inesgotável e o maior desafio é saber como fazer o bom uso de fonte com inúmeras possibilidades. Não restam dúvidas que as organizações que fizerem bom uso dos dados e aproveitarem todo seu potencial, sairão na frente e, certamente, muito terão a ganhar.

 

Hoje, informações, dados e tecnologia são as principais fontes de reserva de valor. As empresas mais valiosas do mundo não possuem muito em termos de reservas ou ativos físicos. Os estatísticos do comércio tratam o valor da Apple por exemplo, não como o valor do iPhone, vidro ou o silício, mas sim a marca, IP, software e outros elementos intangíveis. As grandes empresas deste mercado possuem propriedades intelectuais, patentes, P&D e suas marcas. Elas distribuem seus produtos e serviços pela internet e redes moveis, exemplo são as plataformas - Alibaba, Amazon, Apple, Facebook...

 

O que isto significa para os líderes que operam na gestão de serviços de saúde?

 

Em primeiro lugar terão de assumir que as forças que levaram a organização a um crescimento fantástico no passado não serão as mesmas hoje e no futuro.

 

As estratégias e táticas terão que evoluir para uma realidade com foco na eficácia. Neste novo mundo, os líderes terão que se aprofundar mais no desenvolvimento do ecossistema local do sistema de saúde. Isto inclui o envolvimento com todos os integrantes da rede, suas políticas e estruturas de incentivo a resiliência.

 

Os CEOs precisarão estar atentos e sintonizados com as mudanças e suas implicações na estrutura regional e nacional, terão que adotar abordagens mais atraentes e vitais para manterem seus negócios e até mesmo entrar em novos mercados.

 

Quando a Amazon, Berkshire Hathaway e JPMorgan Chase anunciaram uma nova aliança no início de 2018, a parceria virou a cabeça dos sistemas de saúde. Três empresas, gigantes em suas respectivas áreas, reuniram seus recursos para trabalhar conjuntamente. O objetivo desse novo empreendimento foi direcionar o desperdício identificado no sistema de saúde atual para melhorar o atendimento ao paciente - inicialmente para aqueles cobertos pelas apólices de seguro de saúde das três empresas, mas com um enorme potencial de expansão.

 

No Brasil vemos uma lentidão das empresas de saúde, ainda muito focadas nas demandas anteriores às necessidades da transformação digital.

 

Já no início da pandemia, a saúde digital se transformou em uma realidade em nosso país. O número de healthtechs brasileiras - empresas de tecnologia voltadas à saúde - duplicou nos últimos anos segundo pesquisa Distrito Healthtech Report Brasil 2020, totalizando 542 empresas mapeadas no estudo.

 

Fica cada vez mais claro que, a partir dessas parcerias e das mudanças constantes vivenciadas no setor saúde, poucas empresas poderão se dar ao luxo de seguir seus planos de negócios sem uma avaliação regular de contexto, mercado e ambiente atual, caso queiram responder de maneira positiva às interrupções e riscos no mercado da saúde.

 

Conhecer os riscos do seu negócio, o perfil e expertise das suas competências e, principalmente, entregar valor ao cliente serão o grande diferencial para sustentabilidade do negócio.

Dr. Bruno Cavalcanti Farras
Mara Machado